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quarta-feira, 6 de março de 2013

Estratégias para Leitura: Inglês Instrumental.


São muitas as publicações na área de inglês que propõem estratégias para auxiliar no melhor aproveitamento na leitura de um texto. Scanning, prediction e vocabulary guessing são estratégias, em geral, bem conhecidas por professores de línguas.

Os dois principais objetivos de tais estratégias são: induzir o aluno a compreender o texto da melhor forma possível e modificar a atitude do aluno em relação ao texto.

Na verdade, e em se considerando certos cenários de sala de aula, essa mudança na postura do aluno é, em minha opinião, o grande trunfo das estratégias em questão. A intenção deste artigo é discutir a importância de tais estratégias no ensino de inglês instrumental na faculdade.
Se levarmos em conta a realidade de muitas salas de aula em faculdades, são muitos os obstáculos a serem vencidos: em classes mistas, há a questão do nível de dificuldade do texto a ser apresentado (já que o texto pode ficar fácil demais ou difícil demais). Há o medo de que uma avaliação (obrigatória em muitas instituições de ensino) possa “desmascarar” o aluno em sua “ignorância” e uma descrença generalizada de que uma aula de inglês possa realmente contribuir para seu aprendizado (seja porque já saibam a língua, seja porque acreditem que isso é função da escola de idiomas). Porém, o que realmente salta aos olhos, e que, em minha opinião, impede que a grande maioria consiga, ou até mesmo queira, ler um texto em inglês, é o fato de que muitas pessoas chegam ao primeiro dia de aula já tendo decidido que não sabem ou não têm facilidade com a língua inglesa.

Em vista disso, o professor se vê diante do fato de que sua aula envolve muito mais de psicologia que talvez pudesse antecipar. E, por esse mesmo motivo, as estratégias ganham novo significado. Não só vão ajudar o aluno a aproveitar o texto cognitivamente, mas podem ajudá-lo a ‘aproveitar’ o texto no seu sentido mais lúdico.

Explico: as estratégias podem ser utilizadas para transferir o aluno de uma postura passiva, ‘branca’, neutra para uma postura ativa, envolvida, investigativa, e até, criativa. Também é necessário convencer o aluno de que tal ensino não ocorre de forma linear e racional, como costumam acreditar. Segundo muitos alunos, o aprendizado envolve primeiro, a compreensão da gramática e depois, o domínio da fala. No caso de textos, primeiro, compreende-se palavra por palavra e depois, lê-se o texto. A proposta das estratégias se assemelha mais ao jogo de palavras cruzadas aonde, por uma série de ‘dicas’ você vai preenchendo os vazios (no caso, o vazio seriam as palavras que não se entendem e as estratégias seriam as ‘dicas’).

Um bom ponto de partida seria fazer o aluno entender que ‘ler’ nem sempre quer dizer ‘entender o texto inteiro’. Muitas vezes, ‘ler’ significa apenas encontrar e coletar a informação necessária. É claro que enriquecer e alargar o vocabulário são parte fundamental do processo, mas, para começar a criar a confiança necessária no aluno, a melhor coisa é baixar suas expectativas, trabalhar com aquilo que está ao seu alcance naquele momento. Para daí, então, alargar, estender, enriquecer, enfim, desenvolver.

Essa busca (rápida) de informações específicas no texto sem a necessidade de uma leitura mais detalhada tem o nome de Scanning. Geralmente, buscam-se informações que sejam mencionadas explicitamente no texto (como, por exemplo, datas, nomes, números, etc.).

Uma atividade interessante para demonstrar o que é scanning é a seguinte: mostre, em uma apresentação de data show, um texto e, depois de alguns minutos, o apague (há esse recurso no PowerPoint). A reação, provavelmente, será a de indignação: como você tirou o texto tão rápido?! Como você quer que eu tente entender alguma coisa?! Em seguida, diga que você vai mostrar uma lista com itens de para uma viagem, e que eles têm que dizer se determinado item está na lista (por exemplo, óculos escuros). Mostre o segundo texto (a lista), deixe o texto pelo mesmo tempo que deixou o anterior, e apague também. Essa atividade geralmente funciona bem, porque eles percebem que, com o mesmo (pouco) tempo, foram capazes de levar a tarefa a cabo. Dois pontos ficaram claros: que ter um objetivo prévio ajuda bastante e que escanear por um texto a procura de uma informação também é ler. Mas, mais importante, eles irão perceber: ‘eu consegui’. Assim, a diferença entre posturas é demonstrada de forma prática.

Outra estratégia é ‘adivinhar’ qual tipo de informação eles acham que poderão encontrar, antes de ler o texto (prediction, geralmente feito antes do scanning). O aluno será instigado a acessar qualquer conhecimento prévio que possa ter sobre o tópico, e a deduzir o que for possível a partir daí. Pode-se, também, estimular  os alunos a montarem uma lista de vocabulário que achem que irão encontrar no texto a ser lido. Ao fazê-lo, o professor pode, inclusive, aproveitar e pedir aos alunos que revisem quaisquer tópicos já vistos em aula. Além disso, o aluno já disporia de uma lista (criada por ele mesmo) de informações a buscar no texto, trabalhando, assim, com um scanning feito por ele mesmo.

Sempre acho interessante, depois dessas estratégias iniciais, revisar o que os alunos já sabem, até então, sobre o texto em questão. É preciso chamar-lhes a atenção sobre o fato de que, com pouco tempo gasto e com um nível de ‘angústia’ relativamente baixo, eles já dispõem de uma quantidade considerável de informações sobre o texto. Isso já começa a ajudá-los a se sentir mais confiantes, e torna as próximas atividades mais ‘palatáveis’.

Construída a confiança inicial, pode-se começar, então, um exercício de vocabulário. A ideia é mostrar que toda a ‘adivinhação’ e dedução feitas até então serão ainda mais valiosas para uma compreensão maior do texto e para a construção de vocabulário. Na verdade, trata-se de convencer o aluno de que o inglês é algo bem menos inatingível, e de que ele domina a língua mais do que pensa.

Alguns exercícios de vocabulário:

- palavras já conhecidas – hoje em dia, quase não há real beginners, seja por causa de filmes, música ou mesmo palavras vistas na rua (‘50% off’, ‘delivery’, ‘self service’, para citar algumas);
- palavras compostas – muitas palavras em inglês são formadas por outras, estas mais acessíveis ao aluno (teamworker, interpersonal e overseas são alguns bons exemplos);
- palavras parecidas com o português – há muitas palavras em inglês que se parecem com as palavras em português e que não são falsos cognatos;
- contexto – muitas palavras que não caem em nenhuma das categorias acima podem ter seu significado deduzido pelo contexto: a frase na qual estão inseridas, o assunto do texto, a postura do autor em relação ao assunto.

Dessa forma, há uma mudança de foco; o aluno, ao invés de enxergar apenas o que não sabe, partirá do que lhe é conhecido para buscar alargar seu conhecimento. Ao invés de uma atitude passiva em receber a nova linguagem, o aluno investiga, ‘adivinha’, deduz. Além disso, já vai começando uma inversão ‘psicológica’, o aluno, ao invés de se sentir oprimido pelo que não sabe, transfere sua atenção para o que sabe e dali, vai percebendo que sabe cada vez mais. O ciclo vicioso (não saber, travar, não saber) vira um ciclo virtuoso: ‘o que sei’ – ‘o que deduzo’ – ‘eu sei mais’ – ‘entendo melhor’ – ‘posso investigar para saber mais’.



Daniela Tannus Ramos é tradutora e professora universitária de inglês técnico. Ministra aulas de inglês para as disciplinas Turismo e Secretariado na Universidade São Judas Tadeu desde 2006, além de ter ministrado aulas para Comércio Exterior de 2004 a 2010. Possui, também, experiência em ministrar aulas de inglês técnico para Hotelaria, Biologia, Oceanografia e Direito. Trabalha como tradutora de textos técnicos em diversas áreas desde 2004. Formou-se em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e é mestre em Letras pela Universidade de São Paulo (USP). Possui o Certificado de Proficiência em Inglês outorgado pela University of Cambridge – Local Examinations Syndicate.


Um comentário:

  1. Olá!Amei a postagem foi bem explicada.Gostaria de saber se eu posso fazer uma matéria na faculdade de inglês instrumental, só que não sei falar em inglês, tenho um conhecimento mínimo, ou quase nenhum...rs

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